quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Como Treinar o Seu Dragão termina morno a sua trilogia


Deve ser duro para a Dreamworks dar adeus às suas franquias mais populares e rentáveis. Não foi feito um bom filme de Shrek desde o segundo, Kung Fu Panda acabou, e agora chegou a vez de Como Treinar o Seu Dragão. E eu acho que a franquia não teve o final que ela merece.

Berk está sofrendo com uma super população draconiana e embora os vikings não os vejam como uma ameaça ou um incomodo, é visível como tem ficado complicado até para o Banguela controlar os dragões, agora que é o dragão alfa. Soluço tem passado boa parte do seu tempo como chefe de Berk, desbravando os mares em busca de dragões o qual possa libertar. E isso acaba atraindo a atenção do vilão da história, um matador de dragões, cujo nome eu não me lembro, e não vou pesquisar no Google porque quero deixar evidente o quão irrelevante ele é.

Eu comecei o filme com a impressão que ele tem um tom bem mais infantil e bobinho do que os seus antecessores. A primeira metade dele, é focada nos encontrinhos românticos entre Banguela e uma nova fúria da noite, e o comportamento dele em volta da fêmea, serve de certa forma como um espelho pro casal protagonista, Astrid e Soluço. É sugerido que eles deviam se casar, e isso dá inicio a uma série da gags ao longo do filme. As coisas ficam desconfortáveis entre os dois. Eles não querem se casar, porque não acham que estão preparados, mas o filme tem vários momentos onde Astrid é colocada como uma peça complementar ao seu líder. Como se Soluço não fosse um líder completo se ele não tiver alguém ao seu lado, oficialmente. Eu queria que isso fosse tratado com mais naturalidade, ao invés de forcarem a ideia que o relacionamento entre os dois é algo a ser trabalhado. Não tem. Eles tem uma boa química, apesar das diferenças. Após o compromisso, eles não entram em conflito de casalzinho, como o caminho mais fácil que é tomado nesses casos. Eles tem um bom relacionamento, que não é forçado demais, mas não é escondido demais a ponto de não parecer ter uma real afeição ali. Talvez se o filme tivesse começado com o casamento entre os dois, e ambos lidando com o papel de lideres, teria sido melhor.

E com Banguela arrumando uma namorada, surge no ar a ideia de que uma despedida chegará em breve. O dragão precisa da sua independência para voar livremente sem a ajuda e Soluço, e viver como um animal selvagem que é, uma vez que Berk, estar lotada de dragões, serve como alvo para inimigos. Mas o tema de "dar adeus a aqueles que amamos", colocado em enfase com flashbacks de Estoico, não é trabalhado adequadamente, pois há vários outros temas sendo trabalhados juntos. A ideia de casamento entre Astrid e Soluço, a ideia da ordem natural das coisas imposta pelo vilão, Banguela exercendo seu papel como alfa, a liderança de Soluço sendo questionável , a equipe do Soluço aprendendo a trabalhar em equipe. Tudo isso é abordado, mais alguns tem mais destaque que outros, o que torna muitos temas descartáveis.

Então temos o vilão do filme. Acho que vilões não são o ponto forte dessa franquia. A ameaça do primeiro filme era o dragão alfa que obrigava os outros dragões a saquear Berk, mas o vilão do filme não era ele, era o próprio preconceito dos vikings em relação ao dragões que acabavam colocando eles em perigo. Era o medo da mudança, de pensar diferente. O segundo filme trouxe um vilão genérico. Ameaçador sim, mas genérico. Drago era apenas um brucutu que acreditava que só se podia conquistar as coisas através da violência e força bruta, ao invés do dialogo sensato, o que batia de frente com Soluço que era era tido como um pacificador. O desafio dele era aprender que nem tudo pode ser resolvido pacificamente, e o confronto com Drago teve consequências graves e ele teve que achar um jeito de dar a volta por cima. Nesse filme temos o matador de dragões, que é só uma versão menos interessante do Drago, pois ele tem a sua própria forma de controlar os dragões, com a diferença que ele usa isso para matar outros dragões. Ele tem um tom maquiavélico e calculista, do tipo que aprecia a caçada, mas tem objetivos rasos. Ele mata dragões porque sim. Essa é a ordem natural das coisas, já que humanos são a especie superior. Baseado na história dele do por quê ele mata dragões, acho que poderia ser interpretado como o que o soluço poderia se tornar, se ele tivesse matado Banguela quando teve a chance, mas nem isso é aproveitado como poderia. É só uma ideia jogada ali, se pegou pegou, se não pegou perdeu. Apesar disso, eu realmente estava esperando algo maior vindo dele. No começo do filme ele é visto como uma ameaça terrível, a ponto do povo de Berk deixar a sua ilha, mas no final, ele e a sua frota de navios, é facilmente derrotada, contando apenas com o bando do Soluço. Eles realmente poderiam colocar toda Berk lutando para defender os seus dragões, numa batalha épica em alto mar, pois eles são vikings pelo amor de Odin, mas não, um grupo de sete jovens adultos dá conta do recado. Uma batalha nessas proporções até poderia evidenciar mais o perigo que dragões correm ao viver entre humanos, mas como é um filme infantil, eles devem ter optado pela opção mais fácil e feliz, a fim de não traumatizar as crianças penso eu.

E eu preciso falar do elenco de apoio do filme. Esse é outro ponto fraco da franquia, pois ela foi sempre muito focado em quais personagens são importantes para a trama. No primeiro tivemos Estoico e Astrid, e ambos de alguma forma entravam em conflito com Soluço e a sua relação com Banguela. No segundo, além desses, conhecemos a Valka e cada um tem conflitos que se chocam para resolver a ameaça atual. Mas o bando do Soluço sempre teve uma presença apagada, embora tiveram mais destaque no segundo filme. Aqui, eles são apenas alívios cômicos desnecessários. Cabeça-Dura só está ali para para dar dicas ao Soluço, Melequento serve apenas para dar a sua dose de situações desconfortáveis com a obsessão da vez (na primeira com uma queda pela AStrid, na segunda uma queda pela Cabeça-Quente) Valka, (?) na falta de outra mulher aleatória, e que ficava ambíguo se se tratava de uma interesse romântico (??) ou uma imagem maternal; Espinha de Peixe simplesmente está lá, para carregar um filhote, e Cabeça-Quente só está ali pra ser usada como plt device pro vilão achar o esconderijo do povo de Berk, o que não faz sentido. Ele sabia em que direção estavam indo, sabia que eles iam precisar parar em algum momento, tinha um mapa para se guiar, e tinha usado a Fúria da Luz para atrair Banguela pra longe. Mas só descobriu o paradeiro dos vikings após seguir a garota que havia sido feita prisioneira, depois que convenientemente fora deixada pra trás. E eu realmente não gosto como todos do bando são uns cabeças de vento. Talvez pra não tirar o foco no Soluço, que é o cara das ideias, e a Astrid, que é perfeita em tudo, mas o bando também poderia ter pessoas não tapadas que não servissem apenas como alivio cômico. Cabeça-Quente só se deixou ser seguida porque não pensa em nada além de si, e o conhecimento aprofundado em dragões de Espinha De Peixe nunca é explorado inteligentemente. Eles são descartáveis a maior parte do tempo, então pra que dar destaque pra eles?

Aí temos o clímax para um dos conflitos que foram abordado ao torno do filme. Os dragões precisam ir embora. Soluço e Astrid haviam encontrado um mundo de dragões escondido, e após a derrota do matador de dragões, é evidente que as criaturas se mudem pra lá, onde ficaram seguros. A despedida é tocante. Ou seria se tivesse sido devidamente trabalha ao longo de vários outros temas junto. E esse é um momento que foi completamente estragado pelo trailer. Há uma cena durante o combate contra o vilão, que Soluço está caindo dos céus, sem a esperança que Banguela viria para resgatá-lo. Essa seria uma cena tensa, se não tivesse visto no trailer que ele tem barba, então sim, ele vai ficar bem. E a despedida de todos os dragões seria tocante e emocionante, se a gente não tivesse visto no trailer que o Soluço aparece de barba, junto com o Banguela, então não, essa não é a ultima vez que eles vão se ver. Acredito que tenha terminado assim, para de novo, não dar um final amargo e traumatizar crianças. Após a despedida tocante, Astrid e Soluço se casam finamente, temos um time skip onde eles, junto com os filhos a procura de Banguela, ele próprio com seus filhotes e a essa altura eu já estava impaciente. A ultima vez que eu fiquei tão impaciente pra um filme acabar logo foi com Animais Fantásticos 2.

O filme não é ruim, longe disso. Mas ele se perde demais em vários temas que são abordados de forma tão rasa e descartados tão rápido quanto apareceram. As cenas de batalha são boas, Banguela e Furia da Luz tem momentos engraçadinhos, a animação está estupenda, sério. As cenas no céu são lindas, e quando Banguela estava desenhando na areia, ela parecia muito real. Mas eu esperava mais do filme. Ele não foi tão inteligente quanto o primeiro, e nem tão tocante quanto o segundo. Eu assisti o segundo filme quatro vezes e chorei três vezes, e aqui eu não senti nada. Não é um final que faça jus ao que a franquia conquistou.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Carmen Sandiego está atualizado e bem legal


Ao contrário do que possa parecer, eu não sou contra reboots moderninhos de desenhos antigos. Na verdade, tem muita série antiga que eu gostaria de ver repaginado para os dias atuais porque eu acredito que tem muito potencial pra aproveitar. Mas as vezes esses reboots aparecerem apenas para montar no nome de uma franquia com uma fã base já bem estabelecida e não trazer nada de inovador ou original a produção e acabam tendo um acabamento de qualidade duvidosa. Com sorte, não foi o caso de Carmen Sandiego.

Eu, como qualquer criança noventista adorava assistir ao desenho clássico, mas devo admitir que tenho uma memória muito vaga sobre o mesmo. Tinha o menino em carne em osso no computador, aquela cabeça flutuante do computador, os irmãos que perseguiam a Carmen, a Carmen, roubando a estátua da liberdade deixando no lugar um pedaço de um quebra-cabeça e aquela música tema, que é impossivel de tirar da cabeça. De fato, esse é um ponto fraco da abertura nova. Embora os elementos noir e "Prenda-me Se For Capaz" é muito estiloso e cai como uma luva com a proposta do desenho, a música tema em si não é lá muito empolgante, e isso é uma pena. A maioria dos desenhos de hoje em dia não tem uma musica tema marcante quanto as dos anos 80/90. Mas enfim, eu não me lembrar muito do lore da história original, com certeza ajuda me ajuda a não tentar ligar os pontinhos entre uma série ou outra.

Nessa versão, Carmen fugiu há pouco tempo da V.I.L.E., uma escola que forma criminosos, e dedica todas as suas habilidades a evitar que essa instituição faça o mal para o mundo, e devolvendo itens de muito valor roubados, aos seus donos. Para ajudar nos seus esquemas, ela conta com Player, um moleque hacker, que nunca sai do quarto e usa um fidget spinner (tornando essa série oficialmente datada), e dois irmãos Yvy e Zack, que eu não sei de onde vieram, nem porque se aliaram a Carmen, enquanto ela tenta não só despistar a V.I.L.E., como também dois agentes da Interpol, que estão sempre no seu encalço, e a A.C.M.E..

A série dá muita atenção no quão importante o passado da protagonista é pra ela mesma, uma vez que ela apareceu na V.I.L.E. ainda bebê, e a ideia de ir atrás de respostas está sempre no seu consciente. Eu não gosto muito da parceira do investigador da Interpol, pois me parece que ela está ali, só pra compensar a incompetência do inspetor, e apenas para falar em todo episódio que ela aprece, que Carmen talvez não seja a ladra que ela parece. Nós entendemos. Nós como telespectadores já sacamos a mensagem, e não precisa lembrar em todo episódio. Isso sendo repetido a torto e a direito, dá a impressão que no final Carmen pode ir parando na A.C.M.E., a agencia que se une à Interpol, pois tinha interesse nas ligações da ladra com a V.I.L.E.. Se esse for o caso, meio que tira a ideia de ladra da personagem, embora no jogo original ao que parece, Carmen era de fato uma agente da A.C.M.E. que virou ladra, apenas pra se livrar do tédio.De qualquer forma, a série não precisa desse tipo de super exposição.

A animação está bem legal. A movimentação dos personagens está bem fluida e energética, e eles usam muitos efeitos de movimento de câmera pra deixar as cenas de ação mais dinâmicas. O estilo chapado de design pode desagradar muita gente, mas ele está bonito e bem feito. As vezes lembra um estilo mais polido de Samurai Jack. O character design dos personagens é bem variado e interessante, com personagens muito distintos e com personalidade distintas e habilidades distintas. O estilo da trama, com personagens indo a lugar X para pegar artefato Y antes da V.I.L.E, me lembrou um pouco As Aventuras De Jackie Chan, onde acompanhávamos o astro viajando entre pontos históricos a procura de antiguidades. Uma semelhança, peculiar eu diria. O reboot ainda mantém aquela ideia de educação e aprendizado sobre história e geografia, com os personagens falando fatos interessantes sobre cada local que eles visitam. Um tanto cafona, mas serve bem ao seu propósito.

Quanto a dublagem, é uma questão complicada. O elenco em geral traz todas as vozes que já estamos familiarizados e fazem muito bem o seu trabalho, tirando os primeiros 5 minutos do primeiro episódio quando a voz da Carmen sai da boca do Player. No entanto, a protagonista foi dublada pela atriz Maria Flor, que não tem experiência em dublagem e que traz uma Carmen bem desinteressada indiferente. Eu não acho prudente colocar pessoas sem experiencia em dublagens de destaque, especialmente protagonistas. Incomoda muito a gente ouvir uma voz amadora, no meio de tantos profissionais mais que competentes, especialmente quando a voz que mais escutamos é a do protagonista.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Temporada de inverno: primeiras impressões


Janeiro chegou e com ele o tão esperado começo das temporadas de anime, já que esse ano temos muita coisa legal pra assistir, e eu já separei os três animes que vou conferir essa temporada. Sim três animes em uma temporada inteira. Quatro, se contar Kararuki Circus da temporada passada.

Mob Psycho 100 II

Esse dispensa apresentações, pois é a segunda temporada de um dos trabalhos do autor de One Punch Man. O primeiro episódio aborda o finalzinho do volume 6, que acontece logo depois da batalha contra A Garra. Como eu já tinha lido essa parte, eu já sabia o que ia acontecer, mas o estúdio bones como sempre se superando na animação, deixando tudo mais dinâmico e quiça emotivo, com sua bela direção de cena e fotografia. Eu ainda estou com o volume 7 aqui, que eu não li ainda, porque eu quero me dar algumas surpresas, e como estou fazendo o boicote dos volumes da Panini a partir do 8 (você também devia), vai ser mais legal acompanhar a temporada sem saber o que me espera.

Eu continuo gostando mais da abertura da primeira temporada, mas essa aqui também não é ruim. Admito que eu não curti a primeira abertura de imediato, então é só uma questão de tempo até eu passar a gostar mais da segunda. É é sempre bom imaginar o quanto os animadores se divertiram fazer essa abertura.

The Promised Neverland

Esse é outro que acho que dispensa apresentações, se você for antenado no mundo dos mangás o bastante, pois Neverland conquistou bem rápido o titulo de mangá muito hypado, especialmente com o anuncio do anime ano passado. Eu achei a animação muito boa. Ambos abertura e encerramento também são muito legais. Mas acredito que a direção do episódio estava meio fraquinha. Acho que faltou energia no começo da história, especialmente na cena do pega pega, e me pareceu um pouco arrastado, enquanto o final ficou corrido demais. porque eles precisavam terminar o episódio com aquela revelação tensa.

O episódio cobre o capitulo um por completo, mas como essa temporada só terá uns 12 episódios, eu imagino que eles vão correr mais a partir dos proximos episódios, se o anime acabar na parte onde todo mundo está especulando que vai acabar, pra deixar com um grande cliffhanger. Se for o caso, espero que façam de um bom jeito.

Dororo

Esse é um clássico do Osamu Tezuka, e acredito que o mangá já foi publicado no Brasil se não me engano. Ele já teve outras adaptações em anime antes, mas dessa vez eles apostaram num traço menos caricato, bem característico do estilo Tezuka, e dá um tom mais sério.

Na trama, um lorde feudal faz um pacto com demônios para que eles tragam prosperidade para a sua vila, que sofre da fome e pobreza. Os demônios então tomam o seu filho como pagamento, que nasce sem pele e vários outros membros. O pai decide deixá-lo para morrer, mas a criança tem a vida poupada, e depois de crescido, passa a vida caçando demônios para recuperar as partes humanas que lhe foram tiradas. Foi durante o confronto com um desses demônios que ele por acaso salva a vida de Dororo um moleque ladrãozinho (que pelo visto em algumas versões é uma menina, e não sei se é o caso aqui, embora seja o que parece) e vai passar a acompanhar o rapaz na sua jornada.

Eu curti bastante o primeiro episódio. Os personagens são bem carismáticos, e a animação está muito bonita. Vai ser bom acompanhar algo não familiar pra mim.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Comentando Dragon Ball Super - Broly


Eu admito que nunca cheguei a assistir os filmes do Broly, e é muito bom assistir algo pela primeira vez, sem ter que ficar se lembrando que antes aconteceu assim ou assado. E mesmo não acompanhando a série ou o mangá super, dá pra aproveitar muito o filme, especialmente por vários momentos que os personagens serviam como expositores dos telespectadores e diziam "EI VOCÊS SE LEMBRAM DISSO AQUI?" quando falavam de eventos que ocorreram no Renascimento de Freeza ou o torneio do poder.

O filme começa no Planeta Vegeta, onde há uma grande tensão pela recente posse de Freeza no lugar do seu pai e a ameaça de que Broly teria um poder que viria a ser uma ameaça para o herdeiro do rei Vegeta e para a raça saiyajin em si, pelo seu potencial poder descontrolado. Broly é banido para um planeta inóspito, mas seu pai vai ao seu segue o seu rastro e com a nave avariada ao chegar ao local, Paragus precisa treinar o filho para sobreviver no planeta hostil para um dia se vingar do rei Vegeta e seu filho. Enquanto isso, Goku é enviado para a Terra já que o seu pai suspeitava que Freeza tramava eliminar os saiyajins junto com seu planeta.

Eu achei que essa seria uma introdução um tanto longa, para um filme de pouco mais de uma hora e meia, mas o filme mantém um ritmo muito coeso e amarra muito bem os acontecimentos para não parecer corrido demais ou arrastado demais. Enquanto Bulma, Vegeta, Goku, Bills e Whis estão desfrutando um resort, Trunks informa que as esferas do dragão que ela tinha em casa foram roubadas e já desconfiando que Freeza estava tramando algo, foram atrás da ultima, no ártico. Ao mesmo tempo que Broly e Paragus são resgatados do lugar onde estavam por dois soldados quaisquer de Freeza que tinham a missão de recrutar pessoas fortes para o exercito, e são levados até ele. Logo o destino de todos os leva até o ártico e lá a pancadaria rola solta.

Esse era o filme que eu queria assistir quando fui ver A Batalha dos Deuses. Eu sempre esse primeiro filme com um tom muito morno o tempo todo, sem um senso real de perigo ou urgência, e que o combate principal não ofereceu tudo o que podia. DBSB teve um ritmo muito mais equilibrado. Apresentou uma trama bem séria, considerando que é Dragon Ball, que não se leva à sério ha muito tempo, teve seus momentos de descontrair, onde o humor quebrou a tensão sem parecer forçada demais e a luta final contra o Broly foi simplesmente sensacional. Gostei muito de ver um senso de perigo entre Goku e Vegeta, coisa que não via desde a saga do Cell, e por mais que ela tenha começado descontraída, com os dois segurando bem a barra contra o saiyajin selvagem, a coisa logo desandou. Vegeta não acompanhava mais, Goku não acompanhava mais e sobrou até pro Freeza segurar a força selvagem do Broly enquanto os dois treinavam a fusão para se tornar no até então não canon, Gogeta, que também teve uma luta muito bem de igual para igual com o brutamontes.

Nessa batalha, houve dois momentos que eu não gostei muito, por conta da trilha sonora durante a vez de Goku e na outra com o Gogeta, cuja musica parecia espectadores gritando o nomes dos lutadores, que me pareceu bobo e anti climático. Por sorte a luta estava angustiante o bastante para relevar isso. Também souberam utilizar muito bem as cenas em 3d aqui, que estavam quase imperceptíveis. Não atrapalharam ou travaram a experiencia da troca de socos insana em nenhum momento.

Broly também é um antagonista muito bem apresentado. Quando eu comentei em Aquaman que nem todo vilão precisa tirar empatia da gente era a isso que me referia. Broly tem uma natureza selvagem por conta do seu poder de luta elevado, mas ele ainda possui uma humanidade e inocência, especialmente pela criação que teve pelo seu pai, que o queria apenas deixá-lo forte a fim de conseguir a sua vingança, sem ensiná-lo de fato a conter a sua vontade de lutar, quando descontrolada, focando apenas no controle através da violência. Broly fica apavorado simplesmente por ver o pai mostrando o controle do colar de choque que seu pai mostrava a Freeza. Como um animal criado em cativeiro. Ele inclusive tem uma boa relação com as pessoas ao seu redor, quando está calmo. Não é culpa dele ter nascido com tal poder. É fácil criar empatia com um personagem assim. É mais compreensível.

De vilão cruel por ser cruel já basta o Freeza. Por sinal, eu adorei como o objetivo dele para reunir as esferas é completamente imbecil. Já que o foco e a ameaça do filme não é ele. E nós vemos tanto tanto o lado do grupo do Freeza e a relação entre o seu exercito e os saiyajins, que o foco no Goku e Vegeta se perde um pouco, e isso é muito bom. Nos filmes e na série em si, o núcleo principal sempre envolve os dois, e deixar eles de lado um pouco para aprofundar outros personagens, Broly principalmente é uma boa escolha. Já conhecemos esses dois o suficiente, e eles só tem um papel de destaque realmente importante durante a batalha final.

Preciso elogiar também a animação. Eu nunca gostei desse estilo moderno de animes hoje em dia em que as linhas de contorno são finas. Dá uma impressão muito grande de coisa barata, e DBS sofre muito disso, inclusive nos filmes anteriores. Gosto muito mais das linhas grossas, como se fossem feitas à mão por um pincel e caneta, um estilo que era muito comum em animes antigos, mesmo no começo da série de Dragon Ball, uma vez que era mesmo feita à mão. Esses traços grossos dão mais vida e energia ao desenho, e assistir esse filme é como voltar no tempo, quando esse era o padrão de desenho. Até disfarçou um pouco os modelos em 3d, razão pela qual funcionou tão bem aqui.

Ao meu ver, o único defeito desse filme é a falta de um Chala Head Chala a plenos pulmões aqui. A musica dos créditos finais parece um k-pop mequetrefe e a versão instrumental de Chala Head Chala no titulo inicial do filme não empolga o bastante. Essa é uma musica muito icônica, e traria mais energia ao filme se ela fosse incluída. Esse filme inteiro na verdade soou como uma homenagem à franquia de Dragon Ball como um todo. Teve um sentimento nostálgico muito forte, até mesmo cenas emocionantes que amoleceriam os de coração mais sensíveis. Tipo eu.

Dragon Ball Super Broly é um ótimo filme. Empolgante, emotivo, com um ótimo senso de humor e valeu cada centavo do ingresso. Deixou a sensação de uma continuação, e se vier mesmo, estou muito curiosa para como eles superariam esse filme.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Comentando Aquaman


Escrevendo esse artigo mais atrasada do que todo mundo, porque eu não sabia se eu queria falar sobre o filme ou não, sendo que eu assisti semana passada, mas cá estamos nós, porque me senti motivada hoje.

Foi um bom filme. Foi divertido e razoavelmente coerente, embora ele não converse bem com Liga da Justiça. Ele tem muito o clima de "é a primeira vez que você está vendo esse cara", mas somos lembrados que ele se passa depois do confronto com o Lobo da Estepe. Tem a cena que após Mera ajudar a salvar o seu pai, Arthur pergunta o seu nome, e eu duvido muito que ele havia se encontrado com ela, quando a Caixa Materna foi roubada de Atlântida sem saber o seu nome. Sobre essa mesma cena ainda, Arthur não parece ter dificuldade em entrar no salão que a Caixa era guardada, mas no seu filme solo ele é visto como um pária, então eu não acredito que ele teria tanta moral e facilidade para entrar em Atlântida como ele teve antes.

Isso é culpa da má organização da equipe da Warner em querer apressar as coisas pra criar um universo compartilhado sem estabelecer personagens antes. Uma hora eles tinham que aprender né. Mas se você ignorar esses detalhes, você vai ter um filme bem divertido que entrega bem o que ele propõe. Com boas cenas de ação, uma trama de mapa do tesouro bem interessante e boa interação entre os personagens.

Os pontos fracos ao meu ver, são algumas piadas fora de hora que quebram a tensão em momentos inoportunos. Durante a perseguição nos telhados da Itália, há uma cena em que o Aquaman está caindo eu eu podia jurar que colocariam aquele grito que o Pateta faz, e aquela cena absolutamente não pedia nada engraçado. Ou logo no começo do filme, na invasão ao submarino, teve vários zoons com efeito sonoro "épico", alguns com slow motion, e me pareceu um pouco forçado demais. Como se eles estivessem tentando impressionar demais. Como em alguns momentos em Mulher Maravilha que toca a sua música tema enquanto está em ação, o que eu achei desnecessário.

Mas o ponto mais fraco do filme, certamente são os vilões. O que é uma pena, já que achei o visual do Arraia Negra muito interessante. A sua roupa com o capacete enorme lembrou muito um vilão de tokusatsu, do tipo que você veria em Jaspion ou Power Rangers, e eu adoro isso. O traje do Homem Formiga também tem muito essa pegada. Mas acho que eles falharam em tentar fazer a gente ter empatia por um pirata. É uma coisa muito comum hoje em dia dar mais humanidade para vilões a fim de deixar o seu personagem mais desenvolvido, mas isso não é sempre necessário. Isso fez sentido com o personagem do Killmonger em Pantera Negra, porque a gente entende de onde vem a sua motivação. Cansado da injustiça do mundo, ele toma a causa nas próprias mãos. O Batman partiu do mesmo ponto, mas enquanto um se focou em tentar fazer o bem, o outro foi pro caminho do mal. Mas o Arraia Negra é só um cara mau que faz coisas más porque seu pai também é um cara mau. É como a própria Mera fala no filme, que foram eles que escolheram esse caminho e devem arcar com as consequências. É o tipico bandido que fica revoltado por não poder fazer o mal livremente por achar que está no direito de fazer o mal livremente. Fazer a gente ter empatia por um cara assim, não funciona bem.

A gente adora personagens com várias camadas e com desenvolvimento claro, mas as vezes os personagens não precisam de uma motivação nobre ou empática pra gente gostar deles. A gente pode gostar de como o Meruem de Hunter x Hunter fez as atrocidades que fez em prol do bem maior, que o fim justifica os meios. ele faz a gente pensar que talvez ele estivesse certo, mesmo que os seus métodos não. Mas o Freeza não tinha motivação maior do que ser um comerciante intergalático sem escrúpulos, e a gente adora como ele ele é frio e cruel, em prol de ser frio e cruel. É por esse motivo que o Coringa não tem uma história de origem oficial. Porque o passado do personagem não importa, o que importa é o que ele é, e o que ele faz.

Com o irmão do Arthur é a mesma coisa. Ele é apresentado como esse cara mau que não gosta do povo da superfície , nem do irmão bastardo e quer garantir o seu lugar no trono, e ser o mestre dos mares, mas no final, talvez ele não seja mau de verdade, que ele fez o que fez porque ele direcionou a culpa da perda da mãe da forma errada. A gente não precisa de redenção pra todo mundo. Às vezes é bom ser mau.

Aquaman é um filme bem legal. Não é espetacular, porque nem todo filme precisa ser, e se você acha que ele finalmente limpou o nome do Aquaman, você esqueceu que o desenho da Liga da Justiça existiu? Você deveria refrescar a memória.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Panini faz ajustes de preços absurdos


Ontem mesmo eu fui na minha loja de quadrinhos local comprar os meus mangás, e saí de lá com 132 reais a menos. Cento e trinta conto nas três edições finais de Fullmetal Alchemist, Mob Psycho #7, Slam Dunk #13, Ataque dos Titãs #25 e Promised Neverland #3. Neverland ainda foi o que mais dá prejuizo, pois o volume 3 havia um pequeno amassado na capa, ainda dentro do plástico, de tão frágil que é o novo material da nova leva de mangás que vai ter esse formato.

A essa altura todo mundo já deve estar sabendo que a Panini acabou de anunciar o reajuste de preço de alguns mangás, e eu não podia estar mais chocada. Não dá pra continuar comprando mangá nesse país com essas condições, especialmente da Panini, que desde sempre manda os volumes atrasados, não tem uma distribuição boa, cancela títulos e sequer consegue divulgar a checklist no mês correto. Antigamente eu gostava de comprar títulos da Panini por curiosidade. Comprei Black Bird e Kekkaishi dessa maneira. Com um preço de capa de 9,90, era possível fazer isso na época, comprar mangá só pra ver se é bom. Hoje em dia eu escolho meus mangás a dedo, vendi várias das edições que eu tinha, mas com o aumento ridículo que divulgaram hoje, não tem como continuar assim.

Mangá não deveria ser um artigo de luxo. Se a crise tá feia, eles deveriam investir em algum formato que seja mais viável, tanto pra editora quanto pros leitores. A Newpop vende Happiness por 13 reais, em formato pocket e com um bom papel e acabamento. Uma pessoa que ainda estuda em colégio estadual e só tem dinheiro quando recebe de presente de natal daquele tio em especifico (como eu era quando comecei a colecionar mangás) nunca compraria um shounen de lutinha a 22 reais. Nem a nenhum dos outros títulos. Isso não é expandir o mercado, é cobrar em cima de quem está pagando pra compensar os que não estão comprando.

Decidi que o meu volume 7 de Mob comprei ontem será o ultimo. Assim como Neverland. Continuarei com Slam Dunk só pelo valor histórico, já que é um clássico, e Shingeki eu estava esperando o mangá chegar ao final pra eu vender as edições, mas acho que não compensa, então vou parar por aqui mesmo e me livrar delas.

Tá cada dia mais difícil ser leitor de mangá.

reajuste de preço divulgado pela Biblioteca Brasileira de Mangás

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Adaptação em cg de Watership Down ganha trailer


Foi ano passado que eu comprei a nova edição de Em Busca de Watership Down, que saiu pela Planeta, publicado originalmente em 1972, se tornando uma das obras mais importantes do século XX, e mais tarde eu descobri que em 1978 foi lançado um notório filme animado, que marcou aquela geração por ser deveras perturbador. Afinal, tanto o livro quanto o filme tratam a história dos coelhos que fogem de seu lar para achar um novo lugar seguro pra viver, de forma bem realista de como funciona o mundo selvagem.

Em 2016 a Netflix havia anunciado uma nova versão, mas algo deve ter acontecido para ela abandonar o projeto, já que o trailer leva o selo da BBC, e tem previsão de ir ao ar no fim do mês. A animação parece... estranha. O modelo dos personagens parece realista demais para um estilo de animação que exige um pouco mais de expressividade, mas se você tem um orçamento que claramente não condiz com o tanto de realismo que pede, o resultado sai, rudimentar. Parece aquele filme de dinossauros dos anos 2000 da Disney.

Apesar disso, o filme mantém o seu tom sombrio, embora eu acredite que devem diminuir um pouco a violência de certas passagens da trama. Mas espero que seja bom, e faça jus ao livro. Se vocês nunca leram, aproveitem a oportunidade.